MarketingMixedUp

Ligar o Offline

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Actualmente somos testemunhas e participantes activos numa revolução que está a alterar profundamente a nossa forma de pensar, sentir e comunicar, transfigurando as relações humanas propriamente ditas. A ubiquidade de comunicação e o imediatismo de acesso a informação alterou por completo a percepção de distância e de tempo. Perante este novo paradigma de vida, não existem barreiras ou fronteiras físicas e o conceito de “espera” vem-se diluindo. Vivemos imersos num sentido de urgência em que o Aqui e o Agora são o mínimo aceitável…

Também numa óptica de Marketing, o consumidor acompanhou esta mudança de paradigma. Um recente estudo da IPSOS revela que um consumidor médio, num país desenvolvido, passa cerca de 4,5h em frente de uma tela, exposto a conteúdos de media. É curioso verificar a multiplicidade de pontos de comunicação e de acesso a conteúdos agora disponíveis: computador pessoal, TV, smartphones e tablets.

Um Mundo com Múltiplas Janelas. Cada uma com possibilidades diferentes cuja utilização depende iminentemente do contexto (tempo disponível; localização; objectivo/mood de utilização), reforçando a problemática da escassez de Atenção e Relevância abordada no meu último post.

Face a estas novas possibilidades tecnológicas, o mundo expandiu-se, as distâncias anularam-se e o tempo estendeu-se, dispondo-se em camadas sobrepostas, fruto do multitasking que agora é possível e até já exigido. O tempo e espaço de trabalho começam a fundir-se com o pessoal, criando uma nova forma de viver a produtividade, o lazer e até mesmo as relações humanas.

Com isto em mente, e sem grande surpresa, as empresas têm vindo a reforçar a sua presença, comunicação e actividades ditas “online”. Foram criados departamentos específicos para trabalhar esta nova vertente que articulam directamente as suas actividades com as agências digitais, com orçamento independente e até mesmo objectivos específicos. Não obstante esta recente tomada de consciência, a grande maioria das empresas tem-se limitado a estender e replicar estratégias dos meios tradicionais, mantendo-se numa inebriante e perigosa zona de conforto. A verdade é que a criação de um website ou de uma página de Facebook não são suficientes para serem encarados como uma real abordagem a esta nova problemática.

Por outro lado, a curto prazo, a verdade é que para muitas indústrias, os meios tradicionais manter-se-ão ainda por algum tempo como os mais eficazes. Daqui se depreende que estes meios digitais não são substitutos mas instrumentos complementares que garantem a consistência da imagem e personalidade da marca entre pontos de contacto distintos.

Evitando cair numa tentativa inglória de futurologia é, ainda assim, fácil assumir que o conceito de realidade/actividade offline tenderá a diluir-se muito rapidamente.

A palavra-chave é Fusão, é necessário abrir espaço a um caminho de integração entre as actividades On e Offline, encará-las como faces da mesma moeda tal como progressivamente já vai acontecendo na vida das pessoas.

A realidade digital, apesar da sua especificidade técnica, tem de deixar de ser considerada como uma quinta isolada, ou realidade paralela envolta em neblina de desconfiança. Esta nova abordagem deve ser abraçada de forma franca e total, com impacto efectivo tanto na estrutura das equipas, na gestão de orçamentos, no trabalho conjunto entre agências, no estabelecimento de metas e objectivos e na execução do plano anual de actividades.

Só assim, os meios digitais poderão ser verdadeiramente considerados e geridos como uma ferramenta do dia-a-dia, com a responsabilidade de promover o conhecimento da marca/produtos, trabalhando para a preferência e satisfação dos clientes e abrindo um canal de comunicação de cooperação bilateral com os consumidores.

Não podemos é esquecer-nos que o seu fim derradeiro não é coleccionar likes mas gerar valor na forma de vendas/receitas.

Mixed Up?

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