Atualmente as organizações estão em constante ebulição. As indústrias vão-se transmutando em cada dia, catalisada pela (r)evolução tecnológica exponencial. Este ritmo não vai desacelerar num futuro próximo tal como infere a a Lei de Moore (Gordon E.). Em 1965, o então vice-presidente da INTEL sustentou uma previsão na qual o número de transístores dos chips (aqui a funcionar como um proxy da evolução tecnológica) teria aumentos de capacidade de 100%, com o mesmo custo, a cada período de 18 meses. Algo que veio a demonstrar-se verdadeiro e ainda sem término à vista. Deste desafiante vendaval tecnológico, novos modelos de negócios surgem a cada momento, procurando corresponder aos comportamentos dos consumidores que vão acompanhando e até exigindo montar nessa cavalgada de mudança.
As implicações estão à vista e culminam num curioso paradoxo. Por um lado, as empresas, fruto do ambiente mais competitivo, têm uma esperança média de existência cada vez menor – Se na década de 60, as empresas do SP500 tinham uma vida útil média ~ de 61 anos. Neste momento estão situados nos 18. Por outro lado, a título de exemplo, a esperança média de vida da população portuguesa transitou, segundo a Pordata, aproximadamente, de 62 anos para 80 anos. Ou seja, as empresas estão cada vez mais jovens e os trabalhadores cada vez mais velhos. Ora esta é uma conjugação de forças antagónicas e que vai alterar cada vez mais a dinâmica de evolução competitiva das organizações.
Quem não se recorda da Nokia ser a maior tecnológica mundial – líder indisputada e admirada por todo o mundo dos negócios e académico? Porém, a queda foi vertiginosa e abrupta. A empresa não aprendeu rápido o suficiente e não antecipou a mudança. Nada restou para além de uma vaga e carinhosa memória pelos acordes do Nokia tune…
Para os executivos e empresas, este ritmo de transfiguração frenético pode ser especialmente exigente. A minha leitura pessoal encontra a sua verbalização ideal nas palavras de Arie de Geus: “A capacidade de aprender mais rápido do que os concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável”.
Dito isto, eis o busílis da questão: se estamos num devir constante em que tudo muda tão rapidamente, tão pressionados pela escassez de tempo e esmagados pela multiplicidade de estímulos e afazeres do dia-a-dia, como garantir que a aprendizagem faz parte da nossa vida permanentemente, seja em termos corporativos ou pessoais?
A nível pessoal creio que o essencial é termos um plano ao nível da nossa ambição. Temos de saber o que se quer aprender e porquê. Especialização, generalização ou diversificação? Conhecimento extra ou certificação? No meu caso, tenho um plano de estudo a 2 anos. Uma lista de livros a ler que atualizo permanentemente – 4 por mês. A título de exemplo, atualmente estou a ler 2 livros e a terminar um curso de Fotografia Técnica ao fim-de-semana e estou a fazer um MOOC sobre Estratégia Competitiva no Coursera. O resto é uma questão de disciplina. Não é uma capacidade inata. Treina-se e regula-se. Criem blocos específicos de estudo no vosso dia pós-laboral com foco naquilo que querem fazer. Pode ser pouco tempo mas concentrem-se totalmente e aproveitem! 25 mins de estudo por dia não sabem o bem que vos fazia…
Por outro lado, em termos corporativos é uma questão bem mais complexa e mais exigente. É necessário investimento e reorganização funcional. Não obstante, parece-me que há uma série de medidas que podem ser consideradas para maximizar e potenciar a aprendizagem nas nossas empresas.
- Criação de um Banco do Conhecimento. Em cada projeto, lançamento de produto ou campanha são definidos KPIs de avaliação e, certamente, far-se-á-se um acompanhamento próximo do seu atingimento ou não. Esta avaliação não pode ser autista nem binária (OK vs KO) pois só é útil se tiver capacidade explicativa, trazendo uma perspetiva global de todos os intervenientes: o que funcionou ou não e porquê. Por outro lado, estas aprendizagens têm de ter efeito de lastro nas organizações. Respeite-se o erro. Aceitemos o erro como uma forma de crescimento e melhoria. Isso implica minimizar o custo de cada erro e evitá-lo de futuro. A criação de uma equipa responsável pela sistematização/organização destas aprendizagens específicas, organizando-as e disponibilizando-as de forma consultável, ágil e atempada por qualquer grupo de trabalho da organização vale ouro.
- Benchmark da concorrência. Todas as organizações devem ter um radar das atividades da concorrência. A cada sinal de novidade ou interação relevante deve ser dado o alerta. No entanto, a notificação não basta. Há que garantir fórum e tempo para as debater em equipa. O porquê e o como devem se escalpelizados assim como o desenvolvimento de cenários de resposta e reação. Aprendamos com os nossos nemesis, sem perder noção do nosso caminho.
- Task force de melhoria contínua. Criem-se equipas especializadas em otimização de processos e ações. Todas as organizações podem fazer melhor a cada dia e esta procura pela eficiência é incontornável. Este compromisso exige um esforço de recursos, tempo e evangelização interna. Fazer mais e melhor, por menos.
- Inovação & parcerias. Em boa parte das empresas “Aquilo que nos trouxe ao sucesso de hoje, não nos levará ao sucesso de amanhã” e portanto isso exige uma capacidade de avaliar novas abordagens, inspiradas pelo nosso própria investigação ou best practises internacionais. Atenção que a mera replicação não é suficiente. Há que ajustá-la à nossa realidade e ao nosso mercado – Pensar GRANDE » Começar Pequeno » Aprender ou Crescer. Paralelamente, podemos procurar parcerias com institutos de investigação, escolas técnicas ou universidades em temas cujo domínio nos ultrapasse, exija investimentos fora da nossa capacidade ou sejam temas não patenteáveis. Cada um um destes interlocutores traz mais-valias que poderão ajudar a criar joint-ventures extremamente bem sucedidas.
- Formação e aculturação. Para os colaboradores que já estão nas organizações há mais tempo, formação relevante e recorrente é de extrema importância até porque é um reconhecimento de que o seu contributo é válido e que contam com eles para o futuro. Tem de existir um plano transversal mas ajustado ao nível do indivíduo. Por outro lado, para todos os que chegam com a sua juventude e irreverência (de idade ou novidade) é extremamente importante aculturá-los, moldá-los no âmbito do que é o espírito e forma de estar da organização que os recebe. Desta interação entre os colaboradores mais experientes e os que chegam, deve surgir a força de motriz de crescimento e evolução das organizações.
- Power to the machines. Para as empresas com maior capacidade de investimento, já existem soluções informáticas que garantem uma melhor compreensão de dados combinados – Business Analytics de ponta. O futuro chegou e não pediu licença a ninguém. A Inteligência Artificial já não é ficção científica e cada vez mais vai poder ser uma ferramenta na sistematização e correlação de dados com uma capacidade e assertividade acima do que qualquer analista possa entregar. Cruzar dados de performance com fatores exógenos, evolução de concorrência e feedback de clientes, vai ser possível prever resultados com muito maior precisão. Não é para todos os bolsos mas claramente é o futuro.
Costuma dizer-se aprender até morrer. Eu tenderia a reformular para – Aprender ou morrer. Nos tempos que correm, é vital que cada indivíduo e que cada organização aceitem o assustador e penoso facto de não sermos mestres de nada. O que sabemos hoje, poderá tornar-se inútil amanhã pelo que é essencial construir-se mecânicas de aprendizagem constante e efetiva. Cada dia uma nova lição. Aprender com o que fazemos. Aprender com o que não fazemos. Aprender com o que os outros fazem. Seja bem ou mal. Investigar. Colocar em causa. Procurar coisas novas. Provocar, discutir/testar.
Voltando às analogias marciais que tanto aprecio, o estudante iniciado está normalmente associado ao cinto branco. Por oposição, o mestre está associado ao cinto negro. O mestre, na realidade, não pára nunca de treinar e de se colocar à prova. Com esse treino contínuo, ininterrupto e intenso há um natural desgaste físico do cinto, esfarelando-o e revelando o tecido branco que nunca deixou de ali estar. Esta é a essência da aprendizagem: o “professor” nunca deixa de ser aluno! A mestria é um caminho e não um destino.
MixedUp?

Uma boa e simplificada forma de pensar no que significa ser Gestor de Marketing reside no curioso facto de que sempre que há algum problema, sermos chamados a intervir. Isto é ótimo porque resolver problemas, sejam dos nossos clientes ou da nossa organização tem 

Nos dias que correm, o inalcançável chega a nós mais rápido do que nunca. O domínio da ficção científica tem cada vez mais dificuldades em nos surpreender com algum tipo de previsão utópica. Veja-se que vivemos num mundo conectado 24h por dia com qualquer informação à distância de um clique; realizamos já as nossas compras sem sair do conforto do nosso sofá; operamos com equipamentos através do toque, voz e até do olhar; rumamos em direção a uma presença global de uma 



